Um caso raro da natação portuguesa

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Quatro irmãos que foram figuras de relevo na natação de águas abertas em Sesimbra nos anos 50…

Filhos de peixe… sabem nadar. E poucas vezes o aforismo terá explicação tão certa como esta airosa história que se passou em Sesimbra nos anos 50-60.

Conhecemos muitas famílias de nadadores, o gosto, e até a habilidade, transmitem-se de pais para filhos e não só na natação, mas também em outras atividades, mas assim um pai nadador com quatro filhos, todos eles nadadores, parece-nos senão inédito, pelo menos invulgar e muito curioso.

O pai chamava-se José Lourenço Filipe, era natural de Sesimbra, como naquela vila piscatória foram todos criados os quatro rapazes que apresentamos aos nossos leitores do Mundo da Natação das Águas Abertas, uma modalidade na altura muito em voga pela falta de piscinas.

Tantos recursos do nadador José Lourenço Filipe que na vila choveram os incitamentos para concorre à Travessia do Tejo, a chamada prova mais longa que se realizava no estuário do Tejo (Xabregas-Algés) reina então, na altura, um senhor grande da natação portuguesa, Bessone Bastos, três vezes vencedor da grande travessia de Lisboa, e o nome mais refulgente da modalidade durante anos e anos.

Sem competidor em Sesimbra, José Lourenço Filipe lá se convenceu a tentar a sorte em Lisboa. Evidentemente não contava aos filhos, com ideias de vitórias, mas, nadar numa em que participava Bessone Bastos e concluir essa prova, nada menos de 12 quilómetros de Xabrega a Algés já seria uma excelente proeza. Pois, cometeu-a o bravo nadador sesimbrense, classificando-se embora no 16.º lugar entre 25 concorrentes à partida chamava-se pelo nome deles, Alves Miguel, Moutinho de Almeida, Hermano Patroni, Delfim da Cunha e outro que se chamava Bessone Bastos, que veria a vencer pela quarta vez consecutiva.

Dos quatro irmãos, o mais novo Alfredo Filipe foi o que mais evidenciou na natação portuguesa.

Os quatro irmãos eram José, Pedro, Hermenegildo e o Alfredo, este o mais novo dos Filipes.

José foi naturalmente o primeiro a revelar-se. Chegou a participar em provas em Lisboa, na piscina improvisada pelo Sporting na doca de S. Amaro e ganhou algumas provas em Sesimbra.

Coube depois a vez ao Pedro afirmar qualidades, um e outro ainda participavam em competições em representação do Clube Naval Sesimbrense, em todas as competições em que o Naval participava.

Hermenegildo era o menos entusiasta, embora era tão bom nadador como os outros irmãos.

Porem o melhor de todos, o mais novo porventura, o que era de longe, o que mais popularidade dava a família era o Filipe e a Vila de Sesimbra, ao seu clube de coração, Clube Naval Sesimbrense.

Do Porto de Abrigo até à praia

No irmão mais novo, viam José e Pedro um nadador de grande futuro, mais jovem Alfredo gostava mais de brincar na água do que encarar a sério as provas que amiúde se disputavam em Sesimbra.

Até que numa prova do Porto de Abrigo ate à Praia, com uma distância de cerca de mil metros, Alfredo Filipe inscreveu-se, ganhando folgadamente e batendo o campeão local Primo Anacleto.

Desde então as coisas assumiram aspetos diferentes para o nadador iniciado a instâncias do Tenente Joaquim Braz tornou-se a partir dos 17 anos nas travessias do Tejo entre Trafaria-Pedrouços. E agora, já com 20 anos, Alfredo Filipe classificou-se em quinto lugar, travessia da Baia de Sesimbra, procedendo alguns nadadores muito consagrados da natação portuguesa, como Jofre de Carvalho, Batista Pereira, Pereira Bastos, Fernando Madeira e muitos outros a onde me incluiu ainda como nadador do Adicense…

E o Naval de Sesimbra, com a equipa formada pelo Alfredo, Pedro e Primo Anacleto ficaram em segundo lugar por equipas, depois do Algés e do Alhandra e a frente do Adicense, Estoril, Belenenses e Naval Setubalense.

Alfredo Filipe, com excelentes condições de relevo na natação portuguesa.

Porem, falta-lhe estímulo, melhores condições de treino e vamos lá um pouco de paixão pela modalidade, sem a qual nenhum atleta se faz campeão.

Quero aqui deixar a história de uma família de nadadores que eu tive o ensejo de confraternizar. Infelizmente nenhum deles está vivo, mas os seus feitos são sempre recordados todos os anos pela realização da Travessia da Baia de Sesimbra, pelo 5 de Outubro.

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